Testemunho – Carlos Loff – Fotógrafo e Formador Freelancer

Publicado a 21 Novembro 2009 por AnaMartelo4 Comentários

Colocado em Dicas, Iniciar-se




Olá a todos, sou o Carlos Loff – Fotógrafo e Formador de Workshops de Fotografia, tudo em regime Freelancer, já há 1 ano a tempo inteiro, ou seja, Freelancer a sério e não de fim de semana !!!

Mais do que dissertar sobre o meu dia-a-dia, procurarei referir aqui as principais vantagens e desvantagens de ser Freelancer e depois os pontos e estratégias principais da minha experiência, traduzidos em dicas úteis para quem quer começar.

Vantagens de ser Freelancer:

- Não temos patrão – Teoricamente podemos fazer o que queremos, como queremos e quando queremos.
- Somos donos do nosso tempo livre, quer para executar, quer para conceber novas ideias, projectos e serviços.
- Podemos acabar por ter mais clientes individuais, particulares, que aceitam pagar antes ou logo a seguir ao trabalho feito.
- Quando fazemos bons negócios ficamos com todo o lucro só para nós.

Desvantagens:

- Não há ordenado certo ao fim do mês e nada nos garante em absoluto que um mês muito bom não seja seguido de 3 muito maus.
- Andamos sempre a adiar as férias e dias livres, primeiro porque quando paramos o dinheiro não entra e depois porque os clientes contratam sempre à última da hora e se recusarmos passam para outros freelancers e já não voltam.
- Podemos acabar por ter mais clientes colectivos (empresas ou instituições) que, na hora de pagar o trabalho já feito, acham que o nosso Senhorio ou o Talho podem esperar 3 a 6 ou até bem mais meses até finalmente nós lhes pagarmos a renda e os bifes, respectivamente.
- Quando fazemos maus negócios ficamos com todo o prejuízo só por nossa conta.
Ora vamos lá então, por partes, ao processo de se tornar freelancer a sério, procurando ser abrangente e não especificar demasiado para a Fotografia:

1 – Iniciar-se:

- Ter suficientes pedidos que nos sustentem leva mais tempo do que imaginamos e o Sr. “Fim do Mês”, ao contrário dos assalariados que o recebem como “Salvador”, adquire para nós, que ganhamos no dia-a-dia, apenas a figura de “Cobrador” e chega sempre num instante.
- É fundamental atravessarmos primeiro a fase de Freelancer de Fim-de-semana, adquirindo experiência e até fazendo borlas, para adquirirmos portfolio, contactos e curriculum.

2 – Lançar-se:

- Chega sempre uma altura crítica, como na partida de um avião no asfalto da pista, em que se queremos mesmo começar a voar teremos de entrar numa velocidade cruzeiro, um ponto de não retorno.
- Existe um momento em que temos de estar completamente livres, para aceitarmos trabalhos a qualquer dia da semana e a qualquer hora do dia, pois se tivermos outros compromissos laborais rapidamente começamos a recusar clientes e nunca conseguiremos agarrar os suficientes para nos impormos e sustentarmos, especialmente em Portugal onde cada Cliente é quase sempre um precioso e secreto tesouro a proteger.
- É então nesse maravilhoso dia que escrevemos a carta de despedimento, sentimos umas asas a brotar das costas e mandamos os Patrões à fava, que se enriqueçam à custa do suor e sangue de outros.

3 – Mercado:

- Em Portugal não há mercado, é uma pura ilusão, isto é uma aldeia pequenina onde reinam as cunhas e as casinhas, sendo possível impormo-nos apenas muito lenta e cuidadosamente e onde temos de tratar muito bem cada precioso cliente, que normalmente volta.
- Acaba por haver um misto de boas novas oportunidades e os habitués com que felizmente podemos ir contando.

4 – Clientes

- Os clientes não nos contactam só porque nós existimos e nem quando nos publicitámos activamente ou dirigidamente junto deles.
- Os pouco abundantes Clientes dos Freelancer contactam-nos porque precisam e decidiram só naquele momento andar à procura. Cada freelancer vai construindo e acarinhando a sua carteira de clientes muito pouco a pouco, pois tendem a fidelizar-se e preferem freelancers em quem já confiam do que andar nas inseguranças de novos contactos.

5 – Publicidade

- Pelas razões apontadas no ponto 4, é preferível concentrar esforços na Internet, quer através de um bom site, quer através de anúncios grátis, fóruns, redes sociais e também de sistemas do tipo Google Maps ou Add Words.
- Os cartazes, flyers, anúncios nos jornais, cartas e faxes e até bater às portas – são opções em que o muito dinheiro e tempo investidos não compensam minimamente algum eventual e fortuito feedback – esqueçam isso, vai tudo para a gaveta ou lixo e quando finalmente precisam – lá vão eles à Net.

6 – Preços Competitivos:

- Tudo tem um preço de tabela de mercado e por alguma razão será.
- Devemos estudar bem a concorrência e estar preparados para oferecer pelo menos tanto como eles ou mais.
- Mas não pensem que lançar preços bem abaixo da tabela vos vai safar, pois rapidamente vão perceber que estão atolados em pequeninos e incontornáveis extras e assuntos pendentes, com que não contavam, sem tempo para respirar e a ganhar pouco para o esforço dispendido.
- Mais vale menos trabalhos, bem caprichados e bem pagos, embora seja preferível nã subir demais e manter os preços competitivos, fundamental na “Aldeia Portugal”.

7 – Imagem:

- Roupa – Cartão-de-visita – Carta com Logo – Site – Embalagens de entrega, etc – são muito importantes, quer nos meios de captação, quer no “embrulho” do produto final, pois o Freelancer não inspira a mesma garantia e confiança de uma loja ou empresa com tradição e porta aberta.
- Assim, devemos transpirar qualidade e profissionalismo em todos os aspectos possíveis, mesmo que tal encareça um pouco o nosso produto final.

8 – Profissionalismo:

- É a Chave do Sucesso e um pequeno trabalho, uma vez aceite, deve ser tão cuidadosamente executado como um grande, especialmente neste país onde o boca-a-boca é vital.
- Ser pontual nos encontros, cumpridor nos prazos, nos procedimentos e no produto prometido, nunca defraudar um cliente em nenhum destes aspectos.
- Se tivermos que lidar com terceiros que nos podem deixar pendurados face a um cliente então avisamos o cliente que pode haver atrasos, o importante é prometer e garantir APENAS o que sabemos estar ao nosso alcance e definir com clareza todos os passos, preços e datas do serviço.
- É para isto que servem as reuniões prévias – Esclarecimento detalhado do que se vai realizar, Negociação e Compromisso, sem falhas.

9 – Simpatia:

- Há Clientes e Clientes, podemos sugerir e até criticar construtivamente se tal nos for pedido, mas é indispensável ser sempre paciente e condescendente para com os gostos e opções dos demais, eles é que estão a pagar.
- Também devemos oferecer sempre dois bónus a mais que a concorrência, um indicado logo à partida, para nos destacarmos (no meu caso por exemplo, junto às fotos um slideshow das mesmas, que podem enviar por e-mail); assim como outro bónus inesperado e nunca mencionado (por exemplo, algumas imagens não pedidas, cópias em versão Preto e Branco). É sempre mais uma surpresa extra e agradável na hora de pagarem; toda a gente gosta de se sentir especial e contemplada com pequenas atenções.

10 – Cobranças:

- Muito cuidado, a tendência dos Clientes é sempre para demoras e adiamentos dos pagamentos, o que se pode tornar muito grave quando para fazermos novas encomendas ser necessário investir em novos materiais.
- Especialmente com clientes particulares, deve-se pedir metade do total antes do trabalho e depois o resto na entrega, é sempre justificável e o Cliente irá compreender.
- Eu prefiro perder novos clientes que não concordem com isto do que ter muitos e depois não receber ou receber muito tarde.

E por agora chega, espero em breve voltar a postar mais detalhadamente sobre assuntos específicos e até, porque não, contar algumas peripécias mais ou menos divertidas !!!

Espero ter sido útil e esclarecedor e resta-me agradecer a oportunidade à Ana Martelo, hajam muitos empreendedores/as como tu – Obrigado

E SE UM DIA TIVEREM CORAGEM DE BATER AS ASAS – BOA SORTE PRA VOCÊS !!!

Carlos Loff – Email – admin@carlosloff.com /  Tel. 91 078 14 17 – Fotógrafo Freelancerwww.carlosloff.com / Formador de Workshopswww.meetup.com/clicsboa/pt





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Comentários: (4)

 

  1. iMtuga diz:

    Muito interessante o artigo. Só faltava dizer quanto ganha aproximadamente.

  2. AnaMartelo diz:

    Penso que a essa questão apenas o Carlos poderá responder, se quiser claro!

  3. Olá, neste momento ainda não chega a 1.000€ por mes de lucro, ou seja, ainda nao estou a acumular, mas vai dando para o básico, tive de fazer sacrificios, muitos mesmos, eu nao fiz transição, assim que tive uns trabalhos, larguei logo o emprego certo, mas é um processo que so vai melhorando, cumps

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