O que fazer quando o cliente não paga?

Obviamente este não é um assunto que diga apenas respeito a Freelancers. Existem inúmeras empresas com problemas financeiros devido a situações deste género, e com as quais estas têm alguma dificuldade em lidar.

Vejamos a seguinte situação. O cliente contacta o Freelancer, requisita um orçamento para determinado trabalho, o orçamento é aceite, o Freelancer dedica horas, dias ou até semanas a completar o trabalho e no final do trabalho entregue o cliente não paga aquilo que ficou acordado.
Existem várias situações, e todas elas devem ser encaradas de forma diferente. Muitas vezes o cliente não paga até por algo que está completamente a cargo do Freelancer, como por exemplo o trabalho não ficar de acordo com o orçamentado e aceite, ou até mesmo com alguma falha por parte do Freelancer.

Antes de tudo deverá certificar-se que tudo aquilo que foi acordado entre si e o cliente ficou registado, e até assinado por ambos (é a melhor situação). Para isso deverá redigir um documento no inicio do trabalho com tudo aquilo que está relacionado com o mesmo (tarefas a realizar, pedidos especiais do cliente, datas e valores), e de preferência faça com que o documento esteja assinado tanto pelo cliente como por si. Assim além de o próprio Freelancer ter alguma base para o caso das coisas correrem mal, o mesmo acontece com o cliente. E lembre-se que os clientes têm sempre razão, e devem todos eles serem tratados da melhor forma possível.

Após o registo de tudo aquilo que ficou acordado, deverá por mãos a obra e iniciar o trabalho pedido. Obviamente que o trabalho deverá ser feito com toda a atenção que este merece, e deve ser levado como um projecto super importante (seja ele um trabalho de horas ou um trabalho de meses). Assim irá certificar-se que se empenhou o suficiente para que o projecto saia das suas mãos da melhor forma possível, para que não haja qualquer tipo de reclamação por parte do cliente. No entanto esteja aberto a pequenas alterações e mudanças estratégicas,  isso é algo que ocorrerá imensas vezes.

No entanto depois de todo o seu empenho e dedicação, o cliente acaba por “desaparecer do mapa” e o trabalho fica por pagar, e agora, o que fazer?
Simples, comece por tentar contacta-lo de todas as formas possíveis (telefone, email, presença física ou até carta/fax), explicando que o trabalho ainda não foi pago e lembrando sempre o cliente que existe um compromisso entre os dois que foi assinado e que o compromete a cumprir a sua palavra tal como cumpriu a sua. Se ainda assim não foi possível contactar com o seu cliente então aí deverá optar pelos meios legais disponíveis.

Se for extremamente necessário contrate um advogado, mostre-lhe o documento que foi redigido anteriormente e peça aconselhamento a este para resolver a situação sem ter que recorrer a processos judiciais. Dê algum tempo para o seu cliente reagir e perceber o erro que está a cometer.

Se ainda assim nada for resolvido então a melhor solução será mesmo seguir para as barras dos tribunais e resolver tudo pelo meio legal. Lembre-se que o documento que tem em sua posse é uma prova do acordo que foi feito entre os dois e poderá ser usado como prova.

Obviamente que ninguém quer chegar a este ponto e se for possível fugir disso toda a gente o fará, mas não se deixe intimidar e não se deixe “pisar” pelo cliente. O seu trabalho foi feito, o seu tempo ocupado e a sua sabedoria aplicada, então ele terá que cumprir a sua palavra e fazer aquilo que é mais correcto, pagar o seu trabalho!

Acima de tudo tente levar as coisas pela melhor forma e evite ao máximo recorrer a processos judiciais, mas se houver mesmo necessidade não deixe que o seu trabalho seja levado como uma “borla” e imponha-se, só assim irá receber aquilo a que tem direito.

E com vocês, isto já aconteceu? Como resolveram a situação? Queremos saber a vossa opinião!

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  1. Nuno diz:

    Um dos princípios para não perder tudo é sinalizar o trabalho, assim quando se adjudica uma trabalho fica-se logo com uma garantia.
    Um sinal de 50% é bom para todos, passará a existir “pressa” na realização do trabalho de ambas as partes.

  2. O problema do método dos 50% é que o cliente pensa sempre que vai pagar metade do valor e depois o freelancer vai “fugir”. Se for um bom profissional, claro que isso não vai acontecer, mas se o cliente não conhece o freelanceer, é sempre o risco que de certeza que lhes passa pela cabeça e podem ter receio em acordar com um sinal de 50%.

  3. Já me aconteceu sim…
    O problema é que a dívida foi contraída não só pelo cliente como por cliente – amigo, o que torna a coisa mais chata pois, até hoje fiquei a ‘anhar’.
    Num dos casos foi até mais chato pois usaram indevidamente parte do meu trabalho depois de terem alegado que não precisariam dele…quando fui a ver era praticamente uma cópia (muito foleira, diga-se..) mas foi de muitode mau gosto.
    Até hoje mais me incomoda esse facto do que a dívida em si…
    Enfim… percalços escusados e causados pela inexperiência.

  4. Eu no meu caso peço apenas para fazer um deposito minimo apos 2 ou 3 artigos (que é a minha area) e dps desse deposito prossigo com o trabalho.
    Grande artigo Ana

  5. Se calhar o melhor método é cobrar o tal sinal mas de uns 30% e apresentando ao cliente algum do trabalho já feito.

    Com o sim das duas partes, continua-se o trabalho e no final após o pagamento (ou comprovativo) dos outros 70% entrega-se o trabalho.

  6. Cláudio Ribeiro diz:

    Para mim é simples. É assim que faço e que tenho resolvido a maior parte desses problemas. 50% na adjudicação e 50 na entrega do trabalho. Assim percebemos logo qual a intenção do cliente, bem como temos dinheiro em caixa para cobrir a maior parte dos custos inerentes ao trabalho. Cliente correcto e que percebe como o mercado está, não terá problemas em aceitar estas condições. Recuso-me a colocar dinheiro num trabalho dum cliente. Prefiro não fazer.
    Ricardo Amaral, o freelancer tb n conhece o cliente… Porque raio temos de aceitar tudo o que está estabelecido no mercado. Acha correcto, pedirem-lhe preços mais baratos e ainda pagar a 90 dias?!
    Este sistema em que vivemos não é sustentável! Quem produz tem que receber o valor do seu trabalho e o que está a acontecer é que quem vende é que ganha e pior que isso explora quem produz. Cabe a nos que produzimos, obrigar o cliente a ser correcto e não aceitar-mos condições absurdas.
    Este artigo dá pano para mangas :)

    • AnaMartelo diz:

      São destes artigos que eu gosto de ver ;)

      Obviamente que o Freelancer durante o seu percurso irá encontrar vários exemplos do que já foi falado aqui. Eu própria faço o mesmo, 50% na adjudicação e restantes na entrega.
      Assim nem perde o cliente, nem o Freelancer que está a trabalhar sem bases e por vezes até a colocar investimento seu.

      Eu concordo com tudo o que ja foi dito aqui, mas cabe a cada um ver a melhor maneira para não se prejudicar.

  7. O tema do método de pagamento de trabalhos a freelancer é quase infinito.
    Até hoje só duas vezes(e já foram demais) fiquei a arder.
    - Na primeira aceitei o pagamento a 3(!!!!) meses e passaram esses, outros 3 e mais 3… até hoje.
    - Na segunda o pagamento seria feito após o site ficar online. O site ficou online, ainda me pediram mais alguns extras… Eu fiz (que asno, devem estar vocês a pensar) e até hoje espero o pagamento.
    Em comum estes dois casos têm o facto de terem sido feitos para “amigos”.

    A partir do 2º só cai quem quer.
    Agora só começo a trabalhar com 50% do valor pago. Se não quiserem podem ir trabalhar com quem aceitar as condições deles.

    Belo post

  8. MytyMyky diz:

    Também já tive os meus casos. Mas dadas as especificidades dos trabalhos, um pagamento á cabeça n fazia sentido. Na realidade, era operações esporádicas e imprevistas, pelo que n fazia muito sentido o pagamento á cabeça. Enfim, na verdade apanhei as pessoas erradas à frente.

    No entanto tenho adoptado um método que penso que é util, simples, e funcional para ambas as partes. porque os projectos são de alguma forma longas, divido em 3 partes – 30%, 30% e 40%. 30 à entrada, o que ajuda muito ao arranque, e suporte das primeiras iterações; 30 intermédios contra uma entrega (por exemplo um protótipo com uma serie de funcionalidades), e finalmente o restante contra a entrega final. Desta forma tens como suportar o desenvolvimento, e o cliente fica vinculado ao investimento que fez. Depois de ter confiança com o cliente, pode variar (por exemplo se surgir algo muito pequeno para fazer, podes aguardar até ao fim para receber, para facilitar, e porque confias no cliente, não há problemas).

  9. ilidia diz:

    já tive muitos problemas com os clientes mesmo com 3 parcelas ou só com 2 parcelas (50-50%). o grande problema deles idealizam uma coisa, mesmo com o documento assinado ambas as partes, estão sempre constantemente a mudar as ideias… e isso é ridiculo. temos que educar a mentalidade dos clientes.
    eu aconselho, que é bom, para que os clientes percam o vício de estar sempre a fazer alterações nos sites. O webdesigner alojava o site experimental num sub-domínio dele, mesmo com 50% pagos iniciais, alertava aos clientes durante o projecto o abuso das alterações constantes e caso se excedessem, o webdesigner dizia-lhes que iria pôr no orçamento mais horas extra+50% finais. eles aprendiam! depois do site estar concluído, então é que o cliente paga tudo e depois de receber o pagamento, o site vai ser transferido para o alojamento dos clientes.

    • AnaMartelo diz:

      Essa é uma forma de trabalhar que pode trazer mais segurança para o Freelancer.
      Se trabalhar directamente no servidor do cliente, basta ele mudar as pass’s, desaparecer do mapa e o Freelancer fica sem saber do que lhe pertence..

  10. 50% antes e restantes depois, no final do trabalho.

  11. Carlos Lobo diz:

    boa tarde pessoal

    é o seguinte, tenho uma empresa de som e luz e há 2 meses atras fiz um serviço que nao correu bem pk apareceu pouca gente e o cliente negou-s a pagar, referiu que iria recorrer a um fundo da câmara, acontece que até agora está incontactável e o documento que assinamos nao prova nada e nao queria recorrer a um advogado para já.
    alguem m pode dizer o que devo fazer? ou orientar-me com informação sobre os meus direitos?

    obrigado

  12. Bruno Mota diz:

    Pessoal, fiz vários matériais para uma empresa, mais sem nenhum contrato, depois de vários meses atendendo o pessoal numa boa, mudou a diretoria e o jeito deles trabalharem, agora eles não querem me pagar as artes que ja tinha sido feitas, tenho todos os e-mail solicitandos as criações e todos os e-mail das criações sendo enviadas. O que posso fazer nesse caso ?

  13. Ezequias diz:

    Fiz um serviço de interpretação. Não assinei nenhum documento. A única prova que tenho é minha comunicação com o cliente por e-mail: várias páginas contendo documentos por ele enviados; acordos de dia e horário do começo do trabalho; os registros das câmeras de segurança dos locais onde fui com ele. O que fazer?

  14. Renato diz:

    Pessoal, e tomar cuidado com esses tipos de “Empresas ” meia boca.

    Evitem trabalhar com pessoas sem compromisso. Não trabalhem pela imagem ou por preço baixo ..mas sim valorizem seus serviços..

  15. Boas,
    É obrigatório um acordo, contrato que seja entre o designer e o cliente, 2 originais com carimbo e rubrica em todas as paginas, esse contrato deve ser redigido por um advogado e podem usar como modelo para futuros clientes, eu tenho dois métodos em tudo o que faço, pagamento PP então 50% no acto da assinatura do contrato e o restante na conclusão, só entrego os originais do trabalho e registo/passes domínio/alojamento quando recebo o resto.
    Alguns casos quando falamos de web sites superiores a 2000€ posso fazer em mensalidades que pode ir até 12 meses, existe um contrato de igual forma e o processo é o mesmo tudo fica registado em meu nome até o cliente pagar a 100%.
    Não se esqueçam de pedir fotocopias B.I, NIF e certidão permanente para depois verificarem se os dados são verdadeiros.
    Já tive alguns clientes de forma pertinente não fazer o uso dos pagamentos devido a conjuntura, deixaram de pagar, quando isso acontece ao fim de 5 dias envio um comunicado por escrito com as clausulas do contrato , se o problema persistir coloco numa agencia de recuperação, perco 20% do valor, mas o cliente nunca fica a rir.
    Cumprimentos

  16. Margarida diz:

    Muito chocante, é o facto do cliente afirmar estar insatisfeito com o trabalho, não pagar, cortar relações connosco e, no fim, utilizar o nosso trabalho. Isso aconteceu-me. Que má-fé!

  17. Simples, 50% na adjudicação do serviço e o restante valor é pago na área de testes.

    Se o cliente não quer pagar os 50% de entrada é melhor esquecer, existe outros clientes.
    Área de testes todos nós temos que ter uma área de teste onde alocamos os nossos trabalhos para o cliente ver, se o cliente ficar satisfeito com o resultado final, então é fácil envio a fatura de conclusão e ele paga, só então é que coloco o site no domínio do cliente e entrego todo o original.
    Quando o cliente arrasta o pagamento, tenho um método que as x resulta, injunção de não pagadores e os clientes.
    Uma vez fiz um web site e o cliente pagou os 50% de entrada 480€ + IVA ao fim de 15 dias entreguei o web site e o restante pagamento arrastou-se 2 meses , porque o cliente nunca estava satisfeito a nível de otimização (SEO).
    Eu sabia que estava tudo bem e como combinado no contrato, certo dia passei-me e liguei ao cliente ameaçando que ia divulgar a empresa dele como má pagadora (Caloteira) em todos os contatos possíveis.
    Sei que nunca + faço nada para ele, mas recebi os restantes 480€ + IVA ao fim de 2 dias…
    As empresas estão com dificuldades financeiras, mas nós temos que requerer os direitos já trabalhados porque também somos uma empresa.
    Façam como eu logo na 1º reunião digo sempre ao cliente as regras do nosso acordo e fica tudo escrito assinado e carimbado por ambos…

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