No Sofá Com : Elsa Ribeiro Gonçalves
Publicado a 25 Julho 2010 por AnaMartelo1 Comentário Colocado em Entrevistas
SF: Olá Elsa! Andei a navegar pelos seus blogs e acabei por ficar a conhecer muito pouco sobre si. Podia-se apresentar e ao seu trabalho aos nossos leitores?
ERG: Olá a todos. Tenho 34 anos e sou jornalista desde Maio de 2004, profissão que desde os 13 anos sempre foi meu desejo seguir. Sou uma pessoa simples, que detesta rotina e com uma grande sede de viver. Gosto de ajudar os outros com o meu trabalho. De os tornar um pouco mais felizes.
SF: Trabalha numa área que está em constante discussão, e onde as confusões estão sempre a aparecer. Como define o panorama nacional na sua área de trabalho?
ERG: Não só no jornalismo, como em outras áreas profissionais, penso que não está fácil para quem quer um emprego estável nesta área. O mais difícil é conseguir entrar no meio. E depois de entrar há que fazer a diferença numa equipa e segurar o nosso posto de trabalho. Nesta área tem que existir muita dedicação. Não pode haver dúvidas. O jornalismo não é uma profissão é uma escolha de vida.
SF: Pode contar aos nossos leitores como começou a vida jornalística?
ERG: Terminei o curso em Setembro de 2001 e fiz um estágio numa editora ligada ao ramo automóvel. Entretanto saí e, sem opções na área, comecei a trabalhar no gabinete de comunicação de uma escola. Nunca desisti de ser jornalista e ofereci-me como estagiária num jornal online, para onde ia todos os dias depois do horário de trabalho, às vezes mais cinco ou seis horas. Entretanto lancei-me como jornalista freelancer e comecei a vender alguns trabalhos à peça. Mas posso dizer que trabalhei muitas horas sem ganhar nada, a não ser experiência e a obter contactos. No fundo, a tentar entrar no meio. Um ano mais tarde, em Maio de 2005, tive um convite para integrar a redacção de um jornal para o qual escrevia e vendia algumas peças. Deixei de ser freelancer para trabalhar estive dois anos e meio. Fui mãe. Fui despedida. Pouco tempo depois surgiu a oportunidade de trabalhar num semanário maior, onde estou há quase três anos e tenho uma maior estabilidade profissional.
SF: Com o crescente aparecimento de blogs diariamente, e muitos deles até com imensa qualidade, acha que estará para breve o final da Imprensa Escrita?
ERG: Não. Os jornais de papel só acabam se algum dia acabar o papel. Pode, de facto, existir uma diminuição nas vendas mas o prazer de estar numa esplanada a ler o jornal é um hábito muito enraizado na cultura do homem. Um blogue nunca terá a mesma essência que um jornal. Mas acredito que o jornalismo online seja o futuro.
SF: Se tivesse a oportunidade de incutir alguns valores importantes a quem está a começar, quais seriam?
ERG: Perseverança. Estive cerca de quatro anos em stand-by até conseguir entrar a tempo inteiro na profissão. Nunca desisti da ideia de ser jornalista em todo esse tempo. Criei um blogue (http://diariodeumajornalistanodesemprego.blogspot.com) para escrever os meus desabafos e dar a conhecer o meu trabalho, mandei centenas de currículos, comecei a fazer uma agenda de contactos ou seja, todos os dias trabalhei um bocadinho para tornar o meu sonho real. Hoje olho para trás e valeu a pena lutar. Estou feliz e muito realizada profissionalmente.











Por acaso também gosto de ler o jornal/revista/blog na esplanada, no meu iPad!
O papel tem os dias contados, mais uma ou duas gerações no máximo.