Domingo no Sofá com: Miguel Alho
Publicado a 07 Fevereiro 2010 por AnaMartelo3 Comentários Colocado em Entrevistas
O Miguel actualmente é um dos colaboradores do SerFreelancer, no entanto antes de ser colaborador ele é um excelente Freelancer e com perfeita noção de todas as legalidades que são necessárias e com alguma experiência que poderá ajudar muitos dos leitores do blog.
O tempo dele não é muito, mas ele tirou uns minutos (muitos) para responder as minhas perguntas.
1- Olá Miguel, podes dar a conhecer um pouco de ti e do teu trabalho aos leitores?
Olá Ana, chamo-me Miguel Alho, tenho 28 anos, vivo e trabalho numa terra belíssima chamada Murtosa, e enquanto freelancer desenvolvo aplicações web para os meus (poucos) clientes. Felizmente as coisas estão a correr bastante bem!
2- Trabalhas numa área onde a formação é vista como obrigatória. A tua formação deu-te as ferramentas necessárias para te lançares como Freelancer ou a licenciatura é apenas a base e o resto é adquirido com o tempo e a dedicação?
“Para me lançar como freelancer”, sem duvida que…não! (lol) Só para situar, sou licenciado (pré-Bolonha) em Engenharia de Electrónica e Telecomunicações, pela Universidade de Aveiro. É um curso muito bom, sem dúvida, com uma saída profissional excelente. Relativo a questões técnicas, penso que saí muito bem preparados de lá, quer a nível de bases bastante abrangentes, quer em termos da especialização nas áreas que escolhemos. No meu caso, optei pelo lado Multimédia, que me interessava bastante, e aprofundei o conhecimento em programação. O curso em si tinha muitas cadeiras de programação e atenção à área informática, especialmente ao nível de hardware e micro processamento, mesmo sem ser um curso dedicado á informática (em Aveiro há Engenharia de Computação e Telemática com muitas cadeiras comuns, e penso que agora tem também Sistemas de Informação). Acabei por ter o ano final de especialização com muitas cadeiras de programação, e mesmo o projecto final foi já a programar para a Web, e como não havia cadeiras dessa área concreta no curso, tive de aprender (ainda por cima comprei um livro com muitos erros..).
Disse que não saí preparado para trabalhar como independente, não a nível técnico, que como disse estava bem, mas a nível de conhecer o mercado e como funciona. Tive uma cadeira de Gestão de Empresas que achei muito mau (era obrigatório por exigências da Ordem). Aprendemos coisas do tipo como fazer ( ou tentar ) um plano de negócios, os tipos de marketing, etc. Mas sinceramente não deu para aprender muito bem – ninguém na verdade queria ter aquela cadeira no curso, andávamos todos ali “obrigados”. Fazia sentido tê-lo porque estatisticamente, uma grande percentagem dos alunos do curso tende a criar a sua própria empresa.
Olhando para o que me passou nos últimos anos, acredito que uma cadeira do género é útil, mas tem de ser muito mais direccionado ao mercado existente, e à área científica. Ninguém nos diz o que é o nosso mercado e/ou como funciona. Eu vejo o curso como uma formação que te torna muito bom para trabalhar no mercado, fazer investigação, ser altamente capaz na área cientifica em questão, mas não ao nível do mercado. Obriga a passar, em certa medida por um empregador primeiro, e só depois de “abrires os olhos” podes te lançar. Se aquela cadeira de gestão de empresas fosse uma cadeira de estudo e preparação para o mercado de trabalho, acredito que teria sido bem mais útil. Seria mais útil perceber as opções reais que tínhamos, as empresas, tipos de áreas de trabalho disponíveis, mercados emergentes, questões de salários, funcionamento e opções de associações e ordem de engenheiros, questões fiscais básicas, etc. Seria bem interessante ver os casos de estudo de algumas empresas importantes da área, exemplos de sucessos, de falhanços também. Perceber o valor que a nossa área realmente apresenta, o que realmente vale quer em termos de importância para as empresas em termos de valor humano, e também o valor financeiro. Tornava-nos altamente capazes de ser bons engenheiros ao nível de decisões técnicas, e que funciona bem no curso na minha opinião, mas não nos deixar ser apanhados de calças na mão quando começamos a trabalhar. E isto acredito que acontece com todos os cursos – basta ver que ouves muito falar de licenciados de áreas de difícil saída a criar oportunidades… só que não têm colocação no mercado.
Eu senti isto muito nos primeiros anos, mesmo trabalhando na Universidade como independente, numa bolsa de investigação. Não fazia ideia do que era um recibo verde, de como funcionava as retenções e IVAs e IRSs e afins. Acredito que quem tem famílias com alguma experiência a nível de empreendedorismo e/ou trabalhos de vários tipos possam ter esse tipo de cultura já “entranhado” – vão vendo como as coisas funcionam à volta e aprendem bem. Não tinha essa “cultura” e acabei aprendendo muito pela técnica do “levar nas orelhas” – ficando teso, umas multas fiscais, etc. tomei o caminho mais doloroso, infelizmente. É uma forma de aprender.
3- Sei que tiveste um projecto ligado a uma Universidade, podemos saber mais sobre esse projecto? E que vantagens esse projecto te trouxe ?
Yeap. Começou com o projecto final de curso, que era um sistema de anotação para páginas web – um género de “post-its” para páginas web – e que seria usado numa aplicação web para a Provedoria da Justiça. O laboratório de Sistemas de Informação no IEETA já tinha trabalhos realizado ou em curso para a Assembleia da Republica envolvendo Bibliotecas Digitais. Estava em curso processos de digitalização de documentos, como as actas das sessões do parlamento, vídeos das sessões, etc, e que a equipa do laboratório já estava a realizar. O nosso projecto de curso acabou por incidir num componente para um projecto semelhante, mas para a Provedoria. Além do componente, acabamos (eu e o meu colega de curso) por desenvolver e integrar o back-office. Na verdade, mais o meu colega que eu – eu confesso que era um pouco calão e dediquei-me mais aos trabalhos de outras cadeiras.
De qualquer forma, depois de terminar o curso, abriram umas bolsas no laboratório para um trabalho de desenvolvimento de uma biblioteca e arquivo digital para a própria Universidade, chamado SInBAD, e que estava enquadrado num projecto de desenvolvimento regional conhecido como o Aveiro Digital. A biblioteca iria suportar imensos documentos, nomeadamente teses e dissertações produzidas na Universidade, listas de artigos científicos dos alunos e investigadores da universidade e revistas. O arquivo iria suportar a colecção fotográfica da Universidade, e uma colecção gigantesca de cartazes (muitos da revolução de Abril) e de música jazz, que fora doado à Universidade. Posteriormente foi adicionado uma área de Museu, para suportar informação de peças também elas doadas (infelizmente parece que essa parte desapareceu…). Estive envolvido em parte do desenho da arquitectura, e no desenvolvimento das interfaces e aplicações de back-office para introduzir informação. Também durante esse período desenvolvi um portal para a Fundação Portugal-África, com um back-office para introduzir e manipular o conteúdo. Infelizmente continuava um bocado calão, e não me dei muito bem com o trabalho de pair-programming. Não deixei de aprender, nem nada que se parecesse, mas não fui tão eficiente nem produtivo quanto podia ser, disso tenho a certeza!
O último quarto dos dois anos lá foram um género de “período negro”. Ainda para a biblioteca digital, fiquei a preparar e digitalizar conteúdos para o sistema. Portanto, inicialmente fiz uma pequena investigação sobre os possíveis processos, especialmente para a parte dos vínis, preparei o método de trabalho, e passei 6 meses a limpar, virar e digitalizar vinís, cassetes VHS e Beta, e ainda a introduzir material no sistema. Não consegues imaginar o tédio. Não era grande fã do jazz, e aquilo não ajudou muito (se bem que havia coisas interessantes para ouvir). Por outro lado, consegui aprofundar MUITO o conhecimento de fotografia que já tinha, e cresceu muito a minha paixão quer pela arte, quer pela técnica. O skate era o principal foco nesse aspecto – fisheye e flashes e estava feliz. Andava muito activo nessa altura no Fotosensível, acompanhando o fórum por lá e com os encontros e assim. Também já tinha o meu blog a funcionar e andava muito activo naquilo e a pensar em podcasts e coisas do género. Também nessa altura andava a ajudar bastante um amigo meu, o Victor Martins, que estava a iniciar a licenciatura dele em arte e comunicação, e participava em muitos dos trabalhos e produções que ele fazia. Gostava muito da produção fotográfica, especialmente do trabalho de luz! Aprendi muito nesse período, e garanto-te que não era sobre programação!
É bom olhar para trás, e de alguma fazer a retrospectiva. Penso que hoje sei aquilo que não deveria ter sido naquela altura, (e tento fazer o melhor possível para não voltar a ser, sem arrependimentos). Mesmo assim, consegui reter muita informação e conhecimento do que tinha sido feito. E o “período negro” acabou por me motivar para mudar de ares e de rumo. Terminado o contracto (e diga-se de passagem que naquele período fui recibo verde sempre, como todos os bolseiros), decidi pegar no “guito” que consegui juntar, e tentar por via própria safar-me. Preferencialmente pela fotografia.
4- Então começaste a trabalhar como freelancer a fotografar?
Sim, ou pelo menos tentei. Digamos que o período negro não acabou por completo.. lol. Foi essencialmente os dois anos seguintes que aprendi muito (mas mesmo MUITO) acerca de tudo. Primeiro, nunca te aventures no freelancing sem uma carta de condução! Eu tirei o meu tarde, porque muito sinceramente, nunca tive e contínuo a não ter grande gosto em condução. Quando estava pela universidade tinha transportes públicos disponíveis e que serviam, e portanto nem o precisava. Também não tinha muito dinheiro (nunca tive muito e boa parte do que tinha foi gasto em material fotográfico, que já se sabe que é a desgraça de qualquer carteira…).Eventualmente consegui (a muito custo, diga-se), e também orientei uma Kangoo que dava para por o material para os trabalhos. Portanto, com um problema resolvido surgiu o segundo, que era obter trabalhos. Num meio pequeno como o em que vivo, não abundam necessidades para fotografia que possa ser pago. Nem eu sabia procurar esses trabalhos. Fui péssimo no marketing e quase que dependia completamente do “on-line”, que na verdade não apresentava nada do que procurava. Evidentemente, há sempre coisas como as foto-reportagens, mas que sinceramente não gosto nem me sinto capaz de fazer convenientemente. Gosto de produzir a imagem, não correr atrás dele. Portanto como podem imaginar, aquilo foi a minha desgraça. o que leva á lição número 3 – convém teres dinheiro guardado para poderes sobreviver pelo menos 6 meses. Acredita que é necessário, que o momento aparece, e que é difícil de se levantar dele.
Nesse período, penso que o único trabalho que realizei seriamente foi um site para um fotojornalista amigo (Sérgio Azenha) e umas coisas “free” para a rádio local. E surgia constantemente pedidos para fazer coisas a muito baixo custo ou de borla, o que leva à lição número quatro – toda a gente quer tudo de borla. É uma constante e cai muitas vezes na “asneira” de assim fazer. Muitas vezes era para amigos e assim sendo.. enfim. Quando se tem um emprego que nos suporta, pode-se fazer tudo e mais alguma coisa de borla, e se necessário e nos der gosto, até investir para fazer. Acaba por ser entretenimento. Como pagar um bilhete para ir ver futebol ou um espectáculo. Divertes-te, os amigos divirtam-se, enfim por que não. Mas quando estas a tentar fazer pela vida com isso… aí a dor. Não dá, que cada “freebie” é mais um prego no caixão. Não é verdade que vai surgir coisas melhores e pagas, e não sei que. Do mundo das borlas, só vem mais borlas. E cada vez mais.
Mas nem tudo de trabalho voluntário é mau. Há coisas muito boas até. É necessário ser crítico. Uma das boas foi a Santa Casa local, na qual fui convidado a participar como mesário (e ainda contínuo). Na altura, precisavam de pessoal novo e também uma ajuda a construir uma página web, o que era, naturalmente da minha área (mesmo também que tentava fugir dos computadores). Havia oportunidades muito interessantes para desenvolver coisas giras quer a nível de fotografia, quer a nível de web. E portanto tentei produzir uma newsletter que não consegui (compliquei o que poderia e deveria ser muito simples) e decidi construir o site de raiz, fazendo uso do conhecimento que tinha adquirido na UA. Portanto uma primeira maquete foi desenhada e deitada ao lixo. Um segundo design foi trabalhado e mais aceite e comecei a produzir a página e o back-office, e acabei por descobrir que conhecia muito pouco ou nada da tecnologia que pensava conhecer. Quase que reaprendi tudo, e ainda bem! E bem tenho a noção que aquele mês que passei em torno do código do portal (mesmo que mais tarde fosse deitado ao lixo) seria dos eventos mais importantes que fiz. Foi um género de ponto de viragem e eu sei que, se não tivesse feito aquilo, não sei o que teria sido de mim. O que leva á lição numero cinco – o trabalho voluntário é excelente para aprender coisas novas e úteis, e portanto escolhe bem os ‘borlas’.
Em parte, o código/site que tinha sido criado foi descartado porque não consegui acabar. Surgiu em certa medida um primeiro bom momento na aventura. Tinha me apresentado a uma oferta de um trabalho de desenvolvimento que encontrei na web, no Net Empregos, creio, especificamente para tele-trabalho. Muito tempo passou mas felizmente surgiu uma boa notícia. O projecto era de uma empresa portuguesa para uma instituição financeira Cabo-Verdiana, tinham ganho o concurso e iam arrancar. Gostaram da minha proposta técnica (que envolvia as coisas que aprendi nos projectos da universidade), seria-lhes útil, e orientei o meu primeiro trabalho “valioso” como freelancer. Foram dois meses a desenhar diagramas UML, a arquitectar um sistema aplicacional, que seria pioneiro na rede deles, o que me orgulha em certa medida (sério que é bom para o ego). Valeu também uma viagem lá de uma semana para fazer o levantamento de requisitos. Fui uma mudança radical e tinha que o fazer – já estava nos meus últimos 300 ou 400€, e a ideia de avançar com a fotografia teve de ficar para trás. Seguidamente, haveria a possibilidade de avançar com o próprio desenvolvimento da aplicação.
5- Então a partir dessa altura o “período negro” foi ultrapassado? E agora, presentemente, como está a correr a tua carreira?
Quem me dera que tivesse sido totalmente ultrapassado. “Prosperou” durante algum tempo. As lições não acabaram. Nesse mesmo trabalho, como foi feito por orçamento, e numa segunda avaliação, pareceu-me ser mais simples e mais curto que o orçamento original. Fiz algo idiota – reavaliei um orçamento parcialmente aceite (antes de iniciar uma segunda fase) para menos. Foi muito mau. Não era que não fosse possível desenvolver, mas as coisas rapidamente complicaram quando comecei a escrever código para processar um conjunto de ficheiros com milhares de registos. Processos demorados que necessitavam de optimizações, processos difíceis que tinham de ser optimizados, muito debugging, sessões de horas a fio.. lembro de um que, por causa de o raio de uma letra trocada, reescrevi todo um bloco de código longo até às quatro da manha, se só o resolvi verdadeiramente na manhã seguinte. Também, porque era um trabalho orçamentado, tinha de cumprir tarefas para receber, e com optimizações e erros e alterações (algumas profundas) nas regras de negócio… enfim, o que deveria ter demorado poucos meses seguiu ano e meio. O que é devastador para qualquer carteira. Tive necessariamente que aceitar outros projectos intermédios para compensar. E infelizmente um deles também foi um a desgraça com um cliente que ficou a dever (e ainda deve) bastante dinheiro, especialmente tendo em conta que eu estava teso, teso, teso,.. estava em casa e portanto ainda tinha algum suporte, mas naturalmente custava-me muito.
Aqui tem imensas lições: Nunca subestimes um projecto nem a sua duração nem o seu custo; Software demora, realmente, o dobro do tempo do que se planeia, especialmente quando mudam as regras; e ainda, O método clássico da “cascata” é realmente trágico em software.
Felizmente o “período negro” começou a clarear, mais para o fim do projecto, com a aparição do principal cliente que tenho actualmente. Basicamente, tinham solicitado a um colega meu um trabalho que envolvia umas bases de dados em Access e afins. Não era muito da área dele, e ele perguntou se podia ir à reunião, eventualmente para colaborar. O que queriam em access ia ser o caos para eles, e sugeri aquilo que estava a desenvolver que era uma aplicação web. Pareceu-lhes bem, e metemos mãos á obra. Era algo para fazer nuns 15 dias, e com todo o conhecimento que acumulei no projecto (que ainda decorria) consegui por 90% daquilo a funcionar. Mostramos o protótipo e ficaram muitíssimo entusiasmados. E sugeriram muitas coisas novas, tudo coisas possíveis de aplicar. Mais 15 dias, mais uma vez 90% pronto, e novamente mais coisas para por. Foi assim durante mês e meio / dois meses, de intenso labor e uma aplicação que consegui por a funcionar no que diria tempo recorde. E ainda aprendi a manipular um novo tipo de base de dados!
Desde então tenho sido constantemente solicitado por eles, as vezes tendo que rejeitar. Tenho um projecto muito grande a terminar (com mais de um ano de desenvolvimento e a entrar em produção neste momento), e mais um já iniciado. Tive que juntar mais colaboradores para aliviar a carga, portanto já não sou tanto um solitário, mas mais um membro de equipa, se bem que os métodos de trabalho não alterar demasiado. Também consegui encaixar um “emprego” pelo meio, em que estive a dar aulas a putos do 7º e 8º ano na Escola da Torreira, já que ninguém aparecia para preencher a vaga. O pessoal da função pública pode-se queixar um bocadito mas não muito. Nós independentes somos efectivamente a escumalha do sistema fiscal e laboral. Subsídio de férias e natal e ainda compensação por fim de contrato?! UI UI, maravilha! (LOL) Às vezes nem compreendo como mantemo-nos assim! (LOL)
Enfim… Para todos os efeitos, ainda não estou livre do buraco novamente, porque tem sido um período de muito investimento, com servidores, software, mobília, etc. A qualquer momento, se algo correr mal, não tenho grande margem para manobrar. E tenho dado o litro para aguentar e conseguir criar as bases que realmente preciso e pretendo. Mas está a prosperar e penso que daqui para a frente é mesmo isso – para a frente! Vejo a luz :D
6- Que conselhos darias a quem se está a começar agora?
Esta não tem resposta fácil que há tantos concelhos que possam ser dados. Eu habitualmente tenho algumas longas conversas com amigos meus que estão também a começar, e muito do que posso dizer é da experiência que tenho, e da montanha de erros que já cometi.. as lições que mencionei anteriormente.
Mas acima de tudo, penso que é preciso ter um ponto bem assente na forma de pensar, e é que, como freelancers, estamos a vender o nosso conhecimento e capacidade de realizar. Por mais que gostes do que fazes e do tipo de trabalho, nunca te esqueces que se não pensares nisto como um negócio, não sobreviverás, porque no final do dia ou no final do mês, se não poderes pagar as contas ou suportar uma emergência, estás feito e o “jogo” acaba (e possivelmente mal). Estamos muito desprotegidos como independentes. Portanto, como qualquer negócio, convém pensa-lo e planeá-lo, tanto quanto possível, sem nunca negar a possibilidade de alterações ao plano. Temos de ser muito ágeis e adaptar às mudanças e sermos capazes de mudar quando as oportunidades surgem, e é MUITO importante aprender e perceber os aspectos de negócio.
Depois, lembrem-se que a independência que temos, quer ao nível de estruturas quer de “burro-cracias” é uma virtude e uma vantagem em muitas situações. Geralmente, só temos que reportar ao cliente, em vez de uma estrutura organizativa complexa, em que os nossos clientes possam estão inseridos. Eles geralmente já têm muitas dores de cabeça e pressão com isso, e se conseguirmos facilitar a vida deles em vez de o complicar, eles ficarão contentes. Sejam sempre cordiais e disponíveis para ouvir e perceber os problemas que os vossos clientes têm e querem resolver. Essa pode ser uma das chaves para que o trabalho possa começar a aparecer mais de que termos que a procurar.
E como sempre, façam o melhor possível e nunca parem de aprender!
Antes demais agradeço ao Miguel pela disponibilização para esta entrevista.
Podem ver algum do seu trabalho aqui: http://miguelalho.com/








Muito bom. Foi a entrevista que mais gostei (sem desmerecer os outros de forma alguma), pelas dicas e experiências passada. Vou aproveitar algumas ;)
Ana, porque não divulgar o site dos entrevistados?? Dava jeito para cuscar os seus trabalhos. Fica a sugestão.
Realmente o Miguel é uma pessoa excelente!
Já tinha referido que foi uma falha não colocar os contactos dos entrevistados. Vou já rectificar isso!
Obrigado
Tive o prazer de partilhar o curso EET com o Miguel e posso dizer que se trata realmente de uma grande pessoa. Foi com prazer que li esta entrevista. Muito boa. Tudo de bom Miguel ;)