A vida cíclica do freelance
Publicado a 15 Abril 2010 por ToonmaN3 Comentários Colocado em Produtividade

O leão, porque não sabe quando voltará a ter comida, quando a tem, come até rebentar.
Quem anda no freelance sabe que é uma vida de ciclos.
Como uma onda, cuja linha sobe e desce de forma mais ou menos ritmada.
Alguns conseguem contornar ligeiramente este factor com avenças, mas regra geral é uma actividade marcada por períodos de muito trabalho intervalados por outros em que o trabalho é pouco ou nenhum. E mesmo as avenças tendem a terminar nas alturas de crise, deixando o freelancer completamente desamparado.
Porque acontece
Começa por haver tempo livre. Porque queremos ser artistas. Fazem-se uns bonecos, participam-se em blogs e concursos online, comentam-se os posts dos outros artistas, que verdade seja dita, a gente gosta de trabalhar mesmo quando não ganha nada com isso.
E o que acontece é que, o que para o incauto freelance é um momento de lazer, para um empreendedor exactamente a mesma coisa chama-se “networking”.
Que se pode traduzir livremente por “fazer-se ver”.
E com a visibilidade, naturalmente, começa a surgir o trabalho.
Entramos assim na parte ascendente da curva de produção do freelancer. Trabalho puxa trabalho, há uma presença forte na net, e invariavelmente os clientes aparecem aos jorros(ou pelo menos o suficiente para pagar as contas).
Como seria de esperar, um grande volume de trabalho implica uma dedicação quase exclusiva, o que significa uma redução drástica do tempo disponível, e lá se começa a cortar nas coisas menos “importantes”, como fazer bonecos por prazer e comentar nos blogs.
E entramos na curva descendente.
Não é que não haja trabalho, mas começa a surgir com menos regularidade.
Afinal andámos desaparecidos, os clientes antigos já não se lembram de nós ou encontraram uma nova presença na rede e os novos nem sabem que existimos.
Até que o trabalho dá lugar ao tempo livre.
E o ciclo recomeça.
O dilema
Não seria agradável que o fluxo de trabalho fosse constante, e que ainda assim houvesse tempo para a fanart, os blogs, os concursos e o prazer?
Lá ser, seria, mas o síndrome do leão estraga tudo.
Não passa pela cabeça de nenhum freelance recusar um trabalho porque tem aquele tempo reservado para o networking. Trabalho é sempre trabalho. E se aquele é que era o “tal” cliente? E se o cliente vai ter com outro ilustrador e não regressa mais? Então andei a investir no networking para depois andar a recusar clientes? Vou deitar isto tudo a perder porque quero ler uns blogs? E? E? E?
Não.
Deitas tudo a perder precisamente porque deixas de ler os blogs.
Lidar com o networking
O que é que se pode fazer então?
A resposta é simples: disciplinar a coisa.
Reconhecer que o tempo passado em contacto com o mundo exterior não só é essencial para a nossa sanidade mental como é a única coisa que nos vai manter a trabalhar.
Há quem guarde uma hora de manhã para “soltar a mão”, para ler os feeds, para socializar um bocadinho, quase como o coffee break numa qualquer empresa. Outros preferem fazê-lo ao fim do dia, quando já despacharam o trabalho e não têm que gerir a ansiedade do ter que fazer.
Cabe a cada um definir o investimento que vai fazer na publicidade ao seu negócio – que no fundo não passa disso – e que no caso do freelance se paga com tempo.
Reservar a altura do dia que considera ideal, seja pela paz de espírito seja porque é a altura em que as pessoas que interessam estão ligadas, e mostrar-se activamente.
Com a vantagem de saber que não só se está a divertir com o que antes era apenas um momento de lazer, mas que também está a dar um passo essencial para reduzir a barriga da curva do trabalho para uma coisa mais próxima da linha recta.
E talvez não sejamos tão duros quando os clientes num aperto começam por cortar na publicidade, afinal fazemos o mesmo.
O networking também se faz entre colegas
Agora partilhem os vossos momentos de networking: que sites e blogs visitam regularmente? Que método preferem, e quanto tempo reservam para a socialização?











Discordo da ligação causa-efeito entre aparecer, ou não, na Internet e ter, ou não, projectos. Usando a metáfora da onda, discordo que a mesma aconteça devido à visibilidade que temos na Internet. Muito menos de forma exclusiva como parece aqui subentendido.
A maioria dos projectos que me vêm parar à mão é por referência (o Factor R sobre o qual já aqui escrevi) e apenas uma mínima parte aconteceram devido ao facto de usar blogs e fóruns.
Seria bom se o fluxo de projectos dependesse exclusivamente de nós, em particular da nossa visibilidade na Internet, mas infelizmente não é assim.
Não sei se ou o único a ter esta experiência, mas indexar a quantidade de projectos ao quanto aparecemos nos blogs ou nos fóruns é algo que não me parece real.
Parece que estou aqui a dizer que não vale a pena investir numa presença na Internet. Mas não é bem assim, dado que o networking é uma excelente forma de marketing, de presença e de referência.
No meu caso, uso bastante o LinkedIn para networking, e devo dizer que com algum sucesso. Mas mais do que projectos, já várias vezes obtive acesso a informação ou pessoas chave para alguns projectos que já se encontravam a decorrer ou que estavam a arrancar. Isso isso em alguns casos foi bastante mais valioso do que um novo projecto.
O tipo de networking que se faz depende muito de profissão para profissão. Para uns o linkedin poderá ser a melhor ferramenta, para outros a presença em blogs de autores, a participação em fóruns da especialidade, etc.
Mas enquanto que o factor R é de grande valor (senão essencial), o facto é que a grande maioria dos meus clientes novos me chega por me ter encontrado pela net.
E o posicionamento do meu site num motor de busca está muito dependente dos referals, ou seja, de cada vez que comento na net com um link para o site, estou a criar valor.
Não esquecer que não passa da minha opinião pessoal sobre o efeito onda.
:)
Como o Fernando, também acho que visibilidade na internet não é o 100%. A maioria dos projetos vem de indicação, seja de parentes e amigos, até ex-empregadores e antigos clientes.
Hoje, meus maiores clientes são empresas em que estagiei ou comecei a trabalhar quando me formei em design, pois clientes são assim: eles criam uma imagem de que só eu, que já passei um tempo lá, sei fazer do jeitinho que eles querem. É uma inverdade, mas todos pensam assim.
Mas não tem como negar que sua visibilidade torna-te famoso, e seus colegas, amigos e ex-professores, ex-clientes, ex-empregadores, quando vêem algo teu sendo divulgado, param e pensam “nossa, já trabalhei com este cara! ele é bom, pode contratar!”. E com a internet, blogs e concursos, isso vem sendo mais fácil. Como o toonman disse, basta dedicar algumas horas pela manhã ou à noite.
Por fim, não acho que ele quis dizer que as coisas são exclusivas assim, só que esse artigo foi dedicado a esta ideia. Realmente deu a entender que era SOMENTE por aparecer que você ganha um trabalho, mas talvez este seja o posicionamento profissional dele. Quem não trabalha com internet vai procurar outras fontes.
PS: Não estranhem o português, pois sou brasileiro :)
Abraço!